A PRIMEIRA
COMUNHÃO
Quando
entrei na escola primária para a primeira classe também comecei a ir à
catequese, “à reza”, como então se dizia. A minha primeira catequista foi a Maria
Teresa, filha da Maria do Cevada, que vivia na Rochinha. Como era hábito nesse
tempo, a catequista ensinava a catequese na sua casa, então foi lá, no terreiro
da casa dela que aprendi a reza para a Primeira Comunhão.
Eu já
sabia muitas coisas da catequese porque a mãe, que antes de se casar também era
catequista, já me tinha ensinado; sabia me benzer e rezar o Pai Nosso, a Avé-Maria
e a Santa-Maria, o Anjo-da guarda…; também já estava habituada a ir à igreja
porque desde pequena a avó Serafina levava-me sempre com ela quando ia à missa.
Portanto, começar a ir à reza não foi uma tão grande novidade, fazia parte do
percurso de crescimento, e a mãe valorizava muito a nossa educação cristã.
E assim
chegou a altura da minha Primeira Comunhão.
O meu
vestido branco era curto, pelo joelho e veio da América junto com outras coisas
que a tia Joana (irmã da avó Silvéria) de vez em quando mandava para a mãe. O vestido
tinha manga curta, de balão; então Teresinha do Mário que era uma costureira
habilidosa fez umas mangas compridas que prendiam com elástico debaixo da manga
curta e assim já tinha os braços tapados… (não podia ir de braços “à vela”
receber a hóstia sagrada!!...). Parece que ainda estou a ver-me à volta da mãe
e de Teresinha enquanto destinavam a minha indumentária da Primeira Comunhão,
eu de olhos bem abertos e curiosa para saber como ficaria o meu vestido depois
dos arranjos feitos.
A mãe
comprou-me uns sapatos brancos, uns sapatos de boneca que abotoavam ao lado com
um botão em forma de pérola, e também umas meias brancas que me chegavam quase
até ao joelho. Também me comprou um véu branco, de tule, com florinhas e
lacinhos bordados em toda a volta, semelhante ao que as raparigas maiores
usavam para ir à missa.
Funchal,
06-03-2026.





