domingo, 4 de maio de 2025

Minha mãe!...

 

A MÃE 

Alegre, risonha e de sorriso fácil, a mãe tinha alma de artista.

Tinha uma voz de rouxinol e cantava lindamente cantigas que sabia desde o seu tempo de pequena.

Contava-nos histórias ou acontecimentos sempre com sentido de humor e imitava com perfeição a maneira de falar das pessoas o que nos fazia rir às gargalhadas.

Tudo o que fazia era com perfeição. Bordava como se estivesse a pintar o caseado, as bastidas, o ponto-francês, o ponto-sombra ou os garanitos. Fazia crochet como se fosse renda e embelezava a beira das toalhas da cozinha.

Deitava remendos nas calças do pai (o pai rompia sempre as calças nos joelhos porque apanhava erva com um joelho apoiado no chão), cosidos a ponto-francês de um lado e de outro que ficavam tão bonitos como se tivesse sido à máquina.

Sabia cuidar do forno e amassar o pão, tendia as rosquilhas e os maios com esmero e fazia os bolos-de-noiva tão macios e redondinhos, como mais ninguém os fazia.

Cozia o arroz branco temperado com um pau de canela, nunca media a água e acertava sempre: o arroz da mãe nunca se esquece!

Ensinava-nos a ler, ditava o ditado e perguntava as tabuadas e ensinava-nos a fazer contas de cabeça.

Contava-nos as parábolas e passagens da Bíblia como se fosse uma história e tinha sempre um provérbio adequado quando nos queria dar uma lição sobre qualquer assunto.

Ensinou-nos a nos benzer, a rezar o terço, a Salvé-Rainha e demais orações.

Dizia-nos sempre: – Quem anda com Deus, Deus ajuda!... É a Fé que nos salva!

A nossa Mãe!...