A MÃE
Alegre, risonha e de
sorriso fácil, a mãe tinha alma de artista.
Tinha uma voz de
rouxinol e cantava lindamente cantigas que sabia desde o seu tempo de pequena.
Contava-nos histórias
ou acontecimentos sempre com sentido de humor e imitava com perfeição a maneira
de falar das pessoas o que
nos fazia rir às gargalhadas.
Tudo o que fazia era
com perfeição. Bordava como se estivesse a pintar o caseado, as bastidas, o
ponto-francês, o ponto-sombra ou os garanitos. Fazia crochet como se fosse
renda e embelezava a beira das toalhas da cozinha.
Deitava remendos nas
calças do pai (o pai rompia sempre as calças nos joelhos porque apanhava erva
com um joelho apoiado no chão), cosidos a ponto-francês de um lado e de outro
que ficavam tão bonitos como se tivesse sido à máquina.
Sabia cuidar do forno e
amassar o pão, tendia as rosquilhas e os maios com esmero e fazia os bolos-de-noiva
tão macios e redondinhos, como mais ninguém os fazia.
Cozia o arroz branco
temperado com um pau de canela, nunca media a água e acertava sempre: o arroz
da mãe nunca se esquece!
Ensinava-nos a ler,
ditava o ditado e perguntava as tabuadas e ensinava-nos a fazer contas de cabeça.
Contava-nos as
parábolas e passagens da Bíblia como se fosse uma história e tinha sempre um
provérbio adequado quando nos queria dar uma lição sobre qualquer assunto.
Ensinou-nos a nos
benzer, a rezar o terço, a Salvé-Rainha e demais orações.
Dizia-nos sempre: – Quem anda com Deus, Deus ajuda!... É a Fé que nos salva!
A nossa Mãe!...
