domingo, 14 de agosto de 2016

Céu estrelado


CONTAR ESTRELAS

No meu tempo de criança, as noites claras e enluaradas do mês de Agosto despertavam em mim o enorme desejo de olhar para o céu salpicado de estrelas, que por ser Verão parecia que brilhavam ainda mais do que nos outros meses do ano.

Pensando naquela lição de que eu muito gostava - Luar de Agosto - do livro da terceira classe que dizia ser este o luar mais bonito do ano, eu olhava para o céu para confirmar se era mesmo verdade o que tinha lido no texto. Enquanto pensava na lição do livro punha-me a olhar as estrelas, a ver se conseguia apanhar alguma a correr de um lado para o outro, o que às vezes acontecia. E silenciosamente também contava as estrelas, mas contava-as mentalmente porque se o fizesse em voz alta podiam nascer-me verrugas nos dedos, pois como costumavam dizer os mais velhos quem contasse estrelas nascia-lhe verrugas e depois para tirá-las era um problema sério. Na inocência da minha tenra idade eu acreditava que assim acontecia, mas na verdade nunca me nasceram verrugas embora gostasse de contar as estrelas.

Este gosto que eu tinha de olhar para as estrelas tornou-se ainda mais acentuado quando na aula de ciências naturais, no primeiro ano do ciclo preparatório aprendi os nomes das constelações. Depois disso, sempre que via o céu estrelado olhava para ele vezes sem fim, tentando descobrir a Ursa Maior e a Ursa Menor que os mais antigos chamavam “As três Marias”.

Nos tempos de hoje, para saborear as noites de Verão, gosto de me sentar silenciosamente na minha varanda, passeando o meu olhar pelo céu, a observar as estrelas. Agora já não me importo contá-las mas ainda há poucos dias, por duas vezes apanhei uma estrela a correr de um lado para o outro. Também já não ando à procura da Ursa Maior ou da Ursa Menor, mas o meu olhar vai directamente para aquela estrela maior e mais brilhante, rodeada de outras estrelas mais pequenas. Junto com o meu olhar vai o meu pensamento de saudade para todos aqueles que já fizeram parte da minha vida e agora transformados em estrelas estão lá no firmamento. E sei que a maior e mais cintilante estrela é a minha mãe que de lá de cima continua a cuidar de mim.

 

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