CHEIRO DE CAFÉ
Desde
pequenos sempre fomos habituados com o cheirinho de café na nossa cozinha. A
mãe, que gostava de ser madrugadora e era sempre a primeira a se levantar,
punha logo a panela ao lume e fazia o café. Era cevada misturada com café do
bom e nós já acordávamos com aquele cheiro delicioso invadindo toda a casa.
Quando chegávamos à cozinha já estava a cafeteira em cima da mesa à nossa
espera e todos, do maior ao mais pequeno, bebíamos o nosso café com pão fresco
e estaladiço, comprado na venda do padrinho que bem o cedo tinha ido buscar, em
grandes cestos de vimes, lá abaixo à padaria do senhor Horácio. Depois da
matina, a cafeteira continuava em cima da mesa e tínhamos café durante todo o
dia.
E assim foi sempre ao longo dos anos. Mesmo depois de todos
nós termos crescido e de cada um ter cuidado da sua vida, a mãe continuou a
fazer o seu café todos os dias pela manhã. Agora já o colocava dentro da
garrafa térmica para estar sempre quente. Quando um de nós chegava a casa, a
mãe dizia-nos logo que tinha café feito. Se viesse alguma vizinha era convidada
a sentar-se e a tomar um cafezinho. O café da Teresinha era sempre muito
especial e a mãe gostava mesmo muito de oferecer uma chávena de café a quem
viesse à nossa casa.
Esta manhã, ainda meio adormecida, veio-me ao pensamento o
café da mãe, acompanhado por uma saudade imensa, sem medida. Imaginei-me a
chegar a casa e a mãe a dizer-me para tomar um cafezinho enquanto o almoço não
estivesse cozido.
Um dia destes hei-de
comprar cevada, vou fazer café na panela, e já sei de antemão que quando
estiver a bebê-lo estarei a pensar na mãe.
Gostei das histórias
ResponderEliminar